31 de mai de 2010

Dodge Challenger






Nenhum segmento ficou mais ligado aos anos 60 que o dos pony cars, os compactos esportivos americanos. Ele foi inaugurado com o Plymouth Barracuda e difundido mundialmente pela espantosa acolhida ao Ford Mustang em 1964, depois ampliado em 1967 por Chevrolet Camaro e Pontiac Firebird. Esse time era uma evolução esportiva das plataformas compactas que as três grandes de Detroit inauguraram em 1960.

Além de oferecer o Barracuda, a Chrysler explorava com o Dodge Charger outro segmento nascido e consagrado na década, o dos muscle cars, maiores e mais agressivos. Seguindo a cartilha do Pontiac GTO de 1964, os dois também eram esportivos, mas derivados de plataformas intermediárias. O Charger ganhou o reforço do Plymouth Road Runner em 1968 para enfrentar os outros muscle cars. O Barracuda ganhou um primo pony car dois anos depois: era o Dodge Challenger ("desafiante" em inglês).

Bem parecidos, 'Cuda e Challenger chegaram um ano depois do novo Mustang e um pouco antes dos Camaro e Firebird 1970 1/2. Frente longa com faróis duplos (no 'Cuda eram simples), traseira curta e elevada, ausência de colunas centrais compensada por largas colunas traseiras... O Challenger sugeria um carro pronto para a ação, ainda mais pelas cores vivas comuns na época. Como cupê ou conversível, tinha 5 centímetros a mais no entreeixos e 13 centímetros no comprimento em relação ao Plymouth, mas usava a mesma plataforma. A oferta de motores era generosa: começava por um seis-em-linha de 3,7 litros e 145 cv e prosseguia com os V8 5.2 de 230 cv, 5.6 de 275, 6.3 de 290 ou 335 cv, 7.2 de 375 ou 390 cv e 7.0 Hemi de 425 cv.






Além do básico havia SE, R/T e T/A - esta era uma versão para ruas da preparação para o campeonato Trans American Sedan, com o V8 5.6 munido de três carburadores de corpo duplo e 350 cv estimados. A lista de acessórios também era vasta, com ar-condicionado, freios dianteiros a disco e faixas laterais, entre outros itens. O Challenger parecia pronto para cavar seu espaço entre os pony cars, não fosse o descompasso com o mercado, que marcaria a Chrysler na década de 70.

A febre dos muscle e pony cars já tinha chegado a tal ponto que o preço dos seguros disparou e a clientela começou a recuar. Ainda assim, 83 032 unidades suas foram vendidas, 11 000 à frente de seu maior rival, o Mercury Cougar. Mas as vendas despencariam para 29 883 carros em 1971. O cerco aos modelos potentes, beberrões e poluentes aumentou com novas normas de emissões. Para agravar a situação, a potência nos Estados Unidos passou de valores brutos para líquidos em 1972, o que fez qualquer diferença parecer ainda maior. Alguns motores saíram de linha, assim como o T/A, o R/T e o conversível. A nova frente vinha com grade separada dos faróis e traseira com lanternas duplas. Nada disso evitou que as vendas caíssem mais, para 26 658 unidades.

Apesar de haver uma reação, com 32569 vendas em 1973, a Chrysler preferiu não investir mais no projeto. Em 1974, último ano do Challenger original, houve apenas a troca do V8 opcional por um de 5,9 litros e 245 cv. Só 16437 deles foram vendidos. Aquele também foi o último ano do Barracuda. Baseado no subcompacto Pinto, o Mustang 1974 era uma sombra de seu passado e o Mercury Cougar se tornou um cupê de luxo. Só Camaro e Firebird se mantiveram fiéis ao princípio dos pony cars, ainda que com motores bem mais amenos. Um novo Challenger surgiu em 1978, como mera versão do Mitsubishi Sapporo. Durou até 1983. Já o poder de atração do Challenger original dura até hoje. Apesar da hora errada, ele foi o carro certo para os muitos fãs que mal podem esperar pelo modelo retrô que a Dodge lança este mês com o nome de seu antigo pony car.

Revista Quatro Rodas

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